2012-10-18

Salve-se quem puder e Ano da Fé

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Nestes tempos de crise, há muitos caminhos que nos são apontados e há mesmo vários que podem ser percorridos. Uns abrem o futuro à dignidade do ser humano, outros fecham-no. Nas crises, o caminho que mais facilmente se percorre e aquele para onde as pessoas e as instituições são encaminhadas é o de cada um procurar o seu próprio caminho. É o também chamado salve-se quem puder! Este é o caminho mais fácil, mas é também o que traz mais consequências negativas a médio e longo prazo. O cultivo da relação perde-se, bem como o sentido e a prática do ser comunidade. E nós não somos outra coisa que uma comunidade de origem, de percurso e de destino. Perder o sentido e a prática de comunidade e dos seus valores humanos centrais é perder o centro da nossa vida comum, deixar que muitos sejam excluídos do caminho apenas porque não têm emprego ou pão, significa abandonar o amor como critério de organização social e de vida, Dizem-nos que está tudo decidido, que não há escolhas a fazer. Pois nunca as escolhas foram tão necessárias e nunca estiveram tão escondidas debaixo de interesses, de inevitabilidades ou fatalismos. Outros já terão escolhido por nós e nada se poderá fazer. Quando a cultura se fecha assim é que é preciso ir ao fundo, rasgar o dado como certo e ao centro, este tempo de crise é o tempo da busca das interrogações centrais. O Ano da Fé não podia decorrer num tempo mais propício. As referências cristãs constituem um tesouro riquíssimo de que a humanidade precisa de sentir a pulsação, aqui e ali, em todo o lugar. É em direcção a essa fonte que temos de caminhar, antes que só haja mesmo um caminho de sentido único. E esse já não será o do amor. Nessa altura, será tarde e não ficará pedra sobre pedra. Temos de partir em comunidade, dando as mãos aos mais frágeis e perdidos, aos pobres e aos pequeninos, criando o novo e remendando o que ainda tiver conserto, não devemos levar peso na mochila e temos de transportar muita alegria no coração. São tempos muito duros estes e Deus aqui está, mais uma vez, ao nosso lado, a dizer: Eis-me aqui. | Joaquim Azevedo