2012-01-01

Emil Nolde [1867-1956], A Ceia.


O domingo da OITAVA DE NATAL coincide com o dia 1 de Janeiro de 2012, DIA MUNDIAL DA PAZ, 1º dia de um novo o ano.
O tempo é neutro, por isso é estranho que se enfatize tanto a novidade que este dia representa, desde Sidney ao Rio de Janeiro, desde Tóquio a Nova Iorque. Entre festejos, com mais ou menos fogo-de-artifício, entre brindes e desejos para o novo ano, as superstições e os medos dos homens desfilam de mãos dadas, com matizes milenaristas e apocalípticos quando a festa acaba e a ressaca não recorda os melhores desejos para o tempo novo que neste dia, simbolicamente, se inaugura. É normal. A festa dos loucos termina sempre mal e há em tudo isto uma loucura aceitável no sentido de razoável, razoável no sentido de aceitável.
No contexto dos escritos de S. Paulo, há três tipos de tempo: o 'chrónos', o 'aiôn' e o 'kairós'. 'Chrónos' é o tempo de vida, o espaço de tempo, o tempo biográfico que nos permite as tábuas cronológicas. 'Aiôn' é o tempo de sempre, o tempo contínuo… o tempo do mundo, das eras, dos períodos epocais, o tempo físico da imanência. 'Kairós' é o tempo oportuno para a salvação, trata-se do tempo da esperança, o presente cheio de futuro, o tempo em que a Graça de Deus redime o tempo… o tempo cronológico e o tempo aiónico.
Os cristãos também celebram o tempo cronológico e o tempo aiónico, na medida em que participam do 'chrónos' e do 'aiôn', como toda a matéria orgânica e inorgânica, das bactérias às mais longínquas estrelas… mas fundamentalmente celebram o 'kairós', o tempo kairológico, esse presente já não redutor e ensimesmado, esse presente criativo e partilhado, em que participamos de um projecto de redenção e que nos permite dizer que hoje celebramos a Paz como condição de redenção universal.
Celebrar a Paz não significa apenas desejar a Paz, significa que nos compreendemos como construtores da Paz, responsáveis pela Paz, das nossas casas às ruas das nossas cidades e aldeias, do Paralelo 38 N [que separa a Coreia] às trincheiras e valas comuns que há no mundo, à sombra de muros e muralhas ainda por derrubar. Falo da Paz que começa no momento em que as relações deixam de ser relações de poder, entre irmãos ou esposos, entre pais e filhos, entre vizinhos… Falo da Paz como projecto de vida, em contagem crescente dos dias para os meses, dos meses para os anos, dos anos para os séculos… O tempo kairológico a invadir o tempo cronológico e o tempo aiónico, e a redimir as nossas vidas. | JRT